Por volta de 2006, alguns estudos começaram a apontar para a possibilidade de que algumas mangueiras flexíveis usadas largamente nos sistemas de água potável poderiam de alguma forma interferir na qualidade da água consumida –  cheiro forte, odor desagrável e mudança na coloração era algumas das situações verificadas. Essas mangueiras são usualmente utilizadas como conexões entre as linhas principais de água potável e os pontos de consumo, tais como torneiras, chuveiros, bidês, e infindáveis outros.  Apesar da aparência lisa, quando vista por microscópio, o seu interior possui micro-fissuras e poros capazes de acumular os mais diversos depósitos inclusive ancorar microorganismos e facilitar a aderência de biofilmes.

Mangueira de EPDM revestido

Inicialmente acreditava-se que essas características eram apresentadas apenas por mangueiras de baixa qualidade e com problemas de fabricação mas na Inglaterra pesquisadores demostraram que o problema era o próprio material utilizado    no interior mangueiras e encontrado em praticamente todas as marcas. O EPDM (monomero etileno-propileno-dieno) é uma borracha sintética extremamente versátil muito utilizada em revestimentos, selantes, impermeabilizações e como material para utilizado em partes de sistemas hidráulicos, especialmente as tais mangueiras flexíveis.

EPDM

Profissionais e especialistas ligados ao risco da legionella logo se atentam para o fato de que essa borracha não apenas facilita o aparecimento de biofilmes como consequentemente aumenta o risco para legionella, especialmente porque as mangueiras flexíveis podem estar nos pontos de maior estagnação nas instalações hidráulicas e justamente no momento anterior do ponto de consumo, como em pias e chuveiros. Essa situação já gerou ao menos 2 avisos emitidos pela WRAS (orgão inglês de controle e aprovação de materiais para sistemas hidráulicos) sobre o aumento do risco específico da legionella em sistemas com mangueiras flexíveis. Embora a discussão seja muito centrada na Inglaterra, esse material também é encontrado no mercado brasileiro e é utilizado largamente.

Vale lembrar que nem todas as mangueiras flexíveis possuem EPDM, contudo, pouco se tem falado sobre todos os demais elementos do sistema de água que podem conter materiais como ele e ainda pior, como o caso de borrachas naturais que além de albergarem microorganismos e biofilmes é para estes uma farta fonte de nutrientes.

Leituras sobre o tema:

WRAS – USE OF EPDM FLEXIBLE ‘RUBBER’ HOSES (nota de jan de 2006) – em .pdf

WRAS – WATER QUALITY EFFECTS OF NON-METALLIC MATERIALS IN FLEXIBLE HOSES AND WATER FITTING COMPONENTS (nota de jan de 2011) – em .pdf

 SOBRE A BORRACHA DE ETILENO-PROPILENO-DIENO – artigo de site em português