Os biofilmes, pelo que se sabe, podem se desenvolver virtualmente em qualquer local, desde que tenha nutrientes suficientes para manter a comunidade de microrganismos viva. Um engano muito comum é crer que biofilmes são exclusivos de locais aquosos ou extremamente úmidos. Nesses ambientes eles são capazes de se desenvolver muito rapida e facilmente, contudo, há biofilmes inclusive em rochas de desertos extremamente secos. Mas vamos nos restringir aos biofilmes aquáticos, já que esse é o escopo deste blog.

Certos mecanismos do biofilme são de interesse para nosso estudo: seus estágios. Antes de tudo vale lembrar que biofilmes não são formados apenas por bactérias, todo e qualquer microrganismo pode fazer parte de um biofilme, e dessa forma não é raro encontrá-lo como uma conglomeração de bactérias, fungos, algas, protozoários, resíduos ou produtos de corrosão. Na ecologia natural desses microrganismos eles se desenvolvem e se reproduzem livremente na água (vida planctônica) mas tendem a se depositar de uma forma estável em superfícies. Toda superfície está assim sujeita a ter esses “depósitos” microbiológicos, mas quanto mais rugosa, com reentrâncias ou porosidade, maior são as possibilidades de seu desenvolvimento (no post A Legionella e nas mangueiras flexíveis abordamos o problema de biofilmes na micro-porosidade de materiais emborrachados). No momento em que esses microrganismos se depositam em uma superfície e conseguem aderir, as colônias ainda são capazes de ser retiradas ou removidas com facilidade. Contudo, a tendência é que as bactérias passem a aderir à superfície a partir de apêndices celulares conhecidos como pili (que podem existir em grande número na superfície das células e que são constantemente substituídas). Muitos microrganismos não são capazes de se ancorar em superfícies, contudo podem se fixar com facilidade a biofilmes já formados ou junto a espécies recém aderidas. Por um processo conhecido como percepção de quorum, as bactérias são capazes de identificar a densidade da população microbiológica em sem entorno pela concentração de certas moléculas orgânicas excretadas pelas demais. A percepção de quorum dessa forma, induz a ativação de genes específicos em microrganismos que passam a produzir e excretar outras substâncias para maior aderência do biofilme, o material para a formação da matriz extracelular, entre outras funções.

Parte I –  Biofilme: Introdução