Pesquisadores na Itália desenvolveram um estudo acadêmico mostrando a aplicabilidade de uma nova técnica de detecção de Legionella. A necessidade de obter métodos para contagem da bactéria em amostras ambientais de água é crescente e cada vez mais a precisão desses métodos e a rapidez para um resultado se torna essencial para um tomada de ação corretiva nos sistemas de água.

Placa com colônias de Legionella (pontos esbranquiçados)
Placa com colônias de Legionella (pontos esbranquiçados)

Tradicionalmente os métodos consagrados para contagem de Legionella é o método de cultura baseado na norma ISO 11731 e o método de PCR quantitativo. Em linhas gerais o método ISO baseia-se na coleta de uma amostra de água contendo bactérias vivas. É realizado um tratamento nesta água na intenção de se recuperar e viabilizar o desenvolvimento dessas colônias de bactérias a fim de que se possa detectar quais são do gênero Legionella e posteriormente realizar a contagem de unidades com capacidade de se desenvolver. Esse é um processo bastante lento (ao todo levam quase 20 dias) e sua precisão é relativamente baixa quando a contaminação da água é pequena. Entretanto ele é o método considerado mais seguro e aceito entre a comunidade técnica.

Exemplo de resultado PCR para ser interpretado. A fluorescência representa genes da Legionella
Exemplo de resultado PCR para ser interpretado. A fluorescência representa genes da Legionella

O método de PCR quantitativo (qPCR) funciona com a ampliação e identificação de trechos de DNA da Legionella. De uma determinada amostra de água esse método é capaz de contar a quantidade de trechos específicos de bactérias individualmente. Este processo é bastante mais rápido, mas há o problema de que ele não é capaz de diferenciar quais trechos de DNA são provenientes de bactérias vivas e quais trechos são de bactérias não viáveis e dessa forma o resultado não é capaz de medir com precisão o real risco da contaminação da água.

O que os pesquisadores italianos testaram é um método conjugado de qPCR com EMA (ethidium monoazide) que é utilizado para outras análises microbiológicas mas que ainda não havia sido testada sua eficácia para a Legionella. Esse método é capaz de amplificar o trecho de DNA de interesse de células de bactérias viáveis, mas consegue prevenir a detecção de DNA de células não viáveis. Os resultados aparentam ser bastante promissores principalmente porque tem-se apresentado bastante preciso e com resultados rápidos. É uma ferramenta que, se for utilizada de forma razoável e for acessível, pode auxiliar em diversas situações referentes ao gerenciamento do risco de Legionella (e das Avaliações de Risco) como por exemplo para medir a eficiência de um tratamento de choque em um sistema contaminado.

 

Referencia:

Mansi, A., et al. “Legionella spp. survival after different disinfection procedures: Comparison between conventional culture, qPCR and EMA–qPCR.”Microchemical Journal” 112 (2014): 65-69.