Um dos grandes problemas com relação a doença dos legionários diz respeito ao levantamento estatísticos da doença que atinge a população. Na grande maioria das vezes o doente é diagnosticado como se estivesse com pneumonia comum: os sintomas das duas doenças são praticamente os mesmos. Contudo, o paciente afetado pela legionella não terá melhora clínica com os antibióticos que lhe forem prescritos, os comumente utilizados para combater a pneumonia típica não tem qualquer efeito contra a legionella. Isso é uma realidade até mesmo para países que possuem tradição e pioneirismo no diagnóstico da doença dos legionários como os EUA e a Inglaterra.

O paciente mal diagnosticado, não raro, pode vir a óbito, somando-se às estatísticas das mortes causadas pela pneumonia. A única forma confiável de se diagnosticar a legionella seria por meio de exames, que podem ser simples e confiáveis, como os realizados pela urina ou por amostra de catarro do pulmão; somente assim é possível saber se a pneumonia é uma legionelose identificando-se inclusive a cepa da legionella presente no organismo enfermo.

Quanto à Febre Pontiac, a situação é ainda pior: como se assemelha a uma forte gripe, praticamente todos os casos passam despercebidos.

Sendo assim, é preciso ter cautela toda vez que se lidar com dados que propõem retratar as infecções causadas pela legionella; normalmente qualquer número apresentado, e isso é de comum acordo entre os especialistas, são sempre bastante abaixo dos valores reais. A Organização Mundial da Saúde (OMS) adverte que é desconhecido o número de pessoas que se infectam a cada ano com a legionella. Uma projeção realizada pela mesma OMS tomando por base a Dinamarca – reconhecida como o país em que mais testes para detecção da legionella é realizado em pacientes com pneumonia – chegou ao valor de por volta de 10 mil casos anuais apenas nos 36 países que participam da EWGLI (sigla em inglês para Grupo Europeu de Estudos sobre Infecções causadas pela Legionella).

A mesma situação se repete nos EUA. O CDC, orgão americano para controle e prevenção de doenças, afirma não ter dados reais para os casos de legionelose no país devido à subutilização dos testes diagnósticos apropriados e também pela falta de notificação extensiva das ocorrências ao CDC. Contudo o orgão estima que de 8 a 18 mil pessoas são hospitalizadas todo ano nos EUA em função da legionella.

Os números não são baixos, especialmente para uma doença que não é transmitida de pessoa para pessoa. Para uma política de prevenção à saúde é essencial que se tenha informações sobre o habitat, o ciclo de vida, os modos como a infecção se instala, etc, contudo sem os dados sobre o número de casos, quais as pessoas afetadas, quais os responsáveis pela proliferação da doença, dificilmente essa política pública terá algum resultado extensivo.  É nesse sentido que os mais variados orgãos, desde a OMS, passando pelo CDC americano e até mesmo pela a ANVISA brasileira, tentam, alguns mais outros menos, a ter esses dados com a maior confiabilidade possível. Muitas ações já são realizadas e muito já se sabe a respeito da legionella, mas ainda há muito a ser feito para uma devida prevenção de seu perigo.