Pela primeira vez desde seu descobrimento em 1977, pesquisadores foram capazes de encontrar um vínculo entre dois casos cuja transmissão poderá ter sido realizada diretamente entre pessoas. O surto ocorrido em 2014 em Vila Franca de Xira, cidade próxima à Lisboa em Portugal (um dos maiores surtos já registrados com 400 infectados e 14 mortes) foi causado por uma cepa de Legionella pneumophila que foi nomeada ST1905. Essa identificação ocorre por marcações de DNA específicas que apenas essa estirpe possui, sendo assim, é possível comparar as bactérias na fonte de disseminação com as presente nos pulmões das pessoas infectadas e, assim, definir a origem da doença.
Durante o surto um homem de 48 anos que trabalhava em Vila Franca de Xira passou a apresentar sintomas de pneumonia que, posteriormente, foi comprovada que foi causada pela Legionella pneumophila. Entretanto, sua moradia fixa era a 300km dali, na cidade do Porto, onde dividia uma casa com sua mãe, então com 74 anos. Com os sintomas de pneumonia, sua mãe lhe deu os primeiros cuidados por pelo menos 2 dias até que deu entrada no hospital. Por volta de 6 a 7 dias foi sua mãe que passou a ter os mesmos sintomas. Ambos acabaram por falecer, a mãe em primeiro de dezembro de 2014 e o filho em 07 de janeiro de 2015. Estudos posteriores comprovaram que ambos estavam contaminados pela Legionella pneumophila ST1905, contudo, a mãe não havia saído da cidade do Porto durante o período de incubação e jamais havia estado em Vila Franca de Xira. Ademais, durante o período não houve qualquer registro de algum surto de Legionella no Porto. Ainda assim, acredita-se que esta seja uma via de transmissão da Legionella muito rara e foi facilitada, neste caso, por ambos viverem em uma casa pequena, sem ventilação e abafada.

O estudo foi publicado hoje, na edição de 4 de fevereiro de 2016 da revista The New England Journal of Medicine por 17 coautores portugueses.

Fonte:

Artigo completo da The New England Journal of Medicine [pdf]

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