Em Girona, Espanha, hotel foi fechado por decisão interna após as agências de saúde pública da Espanha ter sido notificada pela França que três turistas franceses se infectaram com Legionella no local. O hotel, de forma emergencial, precisou relocar seus 90 hóspedes para outros da região e permanecerá fechado até pelo menos a conclusão das investigações. A Agência de Saúde Pública da Catalunha suspeita que a contaminação partiu do sistema de água quente do hotel e amostras de água já estão sendo analisadas. Este mesmo hotel já estava sob a vigilância próxima das agências governamentais desde o fim do ano passado, quando outros três casos foram identificados. Na ocasião o hotel permaneceu fechado de Novembro a Abril deste ano, ou seja, em menos de 1 mês de funcionamento outro surto já se iniciou.

De forma já bastante precoce, na década de 80, a vigilância pública com relação a Legionella se iniciou na Europa como uma cooperação de diversos países com o foco nas infecções ocorridas em viajantes internacionais, ou seja, aqueles que se contaminam em um país mas acabam apresentando os sintomas apenas no seu país de origem (até porque em 1976, o primeiro surto documentado de Legionella ocorreu de forma icônica em um hotel na Filadélfia). Dessa forma, há uma tradição e histórico da vigilância internacional focada na indústria hoteleira e de cruzeiros marítimos, que são de fato grande risco para amplificação e disseminação dessa bactéria. O EWGLI (European Working Group for Legionella Infections) que inicialmente se focava exclusivamente nas infecções de viajantes, atualmente faz parte do eCDC, contudo a cooperação internacional de vigilância permanece um de seus objetivos principais.

Dessa forma, se faz um alerta para o Brasil que aguarda dois eventos com grande fluxo de turistas (a Copa do Mundo em menos de 30 dias e as Olimpíadas em 2016). Não é raro que sistemas de água em estabelecimentos hoteleiros se contaminem e amplifiquem a Legionella pelas características normais desses sistemas. E dessa forma, inclusive pelo impacto dos eventos que estão para ocorrer as agências internacionais de vigilância a saúde estarão com seu foco nos seus turistas quando estes regressarem. Vale lembrar que inclusive o CDC (responsável pela vigilância a saúde nos EUA) já em outras ocasiões notificou a ANVISA sobre casos de americanos que se contaminaram em hotéis no Brasil. Infelizmente pela forma como tradicionalmente tem sido tratado o tema no Brasil (mas que progressivamente tem evoluído bastante), cremos que pouco foi feito para conter surtos ou epidemias dessa magnitude durante os eventos que estão para ocorrer.

 

Mais detalhes em:

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La vanguardia – Tres casos de legionela en un hotel de Roses obligan a realojar a un centenar de turistas