Grande surto de Legionella em Portugal teve seu primeiro caso anunciado em 07 de novembro e hoje (12/11/2014) já somam 278 casos, 7 mortes e pelo menos 40 internados em Unidades de Tratamento Intensivo. Todos os casos têm alguma relação com 3 freguesias do concelho de Vila Franca de Xira. O governo português já iniciou a busca pela fonte causadora do surto da doença dos legionários focando seus esforços em torres de resfriamento (fonte comum em surtos dessas proporções).

Fábrica da Adubos de Portugal (MELO MOREIRA/AFP)
Fábrica da Adubos de Portugal (MELO MOREIRA/AFP)

No momento, a principal suspeita recai sobre uma indústria de fertilizantes chamada Adubos de Portugal que passou por inspeção extraordinária no dia 11 de novembro de 2014; além dessa, outras duas indústrias na região (Solvay e Sociedade Central de Cervejas e Bebidas) tiveram ordens do Ministério do Ambiente de pararem o funcionamento de suas torres de resfriamento. Pelo que é possível acompanhar nos noticiários, diversas ações já começaram a ser tomadas desde o fim de semana pelas empresas da região, como a desinfecção de sistemas de resfriamento eliminando possíveis fontes de contaminação que por um lado pode interromper o aumento crescente de casos mas também podem impossibilitar que se identifique o responsável pela disseminação da bactéria no ambiente. As consequências de ser identificado enquanto o causador de um surto de Legionella pode ser grande. Em Portugal, assim como é no Brasil, a negligência de qualquer local com os riscos que essa bactéria pode causar enseja responsabilidade civil e caracterização de crime ambiental. O ministro do Ambiente português, Jorge Moreira da Silva, afirmou que a inspeção nas empresas na região tem o intuito de averiguar “eventual crime ambiental por liberação de microorganismos para o ambiente” (matéria publicada em 11/11/2014 em www.publico.pt).

O surto, que já é o quarto maior registrado desde o descobrimento da bactéria em 1977, está reacendendo o debate em torno do abandono em 2013 pelo governo português de inspeções para verificação da qualidade do ar de interiores trienalmente em estabelecimentos comerciais e bienalmente em instituições de ensino e saúde. Essas inspeções eram definidas por um decreto que foi revogado ano passado e possuíam orientações específicas para a vistoria de locais e equipamentos que possuíssem risco previsível de Legionella.

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